terça-feira, 17 de julho de 2007

E nossas escolas???

A violência que acontece na escola tem alguma particularidade?

Prof. Rodrigo de Azevedo - PUC/RS: Tem. A violência na escola, na minha opinião, tem a ver com duas questões: a crise da família e a crise da escola. Encontramos muitas crianças e adolescentes com famílias desestruturadas, sem a presença da figura paterna. Com isso acabam chegando na escola sem um mínimo de socialização, no sentido de imposição de limites, orientação para a vida. A escola muitas vezes não está preparada para resolver esta situação. Junto com isto existe uma crise da própria escola.
Qual é o papel da escola, hoje, para esta população que vive uma situação de crise, de mudança, de informação acelerada, que não consegue perceber qual será o seu espaço na sociedade? Até que ponto a escola está conseguindo aparecer para estas pessoas enquanto caminho para encontrar um espaço na sociedade?

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Como é possível melhorar a educação no Brasil?

Estatísticas mostram que o Brasil avançou nos últimos anos na área da educação. Hoje, segundo dados do governo, quase todas as crianças têm acesso ao ensino básico no país.

No entanto, o Brasil continua tendo grandes problemas nesse setor. É grande a porcentagem de alunos que repetem de ano e que acabam tendo que abandonar os estudos porque precisam trabalhar para sobreviver.

Como é possível melhorar a educação no Brasil? É melhor investir no treinamento e capacitação de mais professores ou na modernização das escolas? O currículo escolar deve passar por alterações, para preparar as pessoas para os desafios da era da globalização? E como é possível resolver os problemas da evasão e repetência escolares?

Os políticos brasileiros descobriram há muito tempo que povo sem cultura é facilmente manipulável e, portanto, não têm interesse na solução dos problemas na educação. Tudo que se tem feito a respeito é pura demagogia. E agora, às vésperas das eleições, mais uma promessa de campanha. E pensar que o nosso maior mandatário desempenhou a função de educador quando estava no exílio (utopia tupiniquim).
Edmundo Tadeu Coppede - São Paulo (SP)


Nunca se escreveu tanto e tão bem sobre o assunto. Há o reconhecimento de que algo precisa ser feito e urgentemente. Mas como fazê-lo se a própria política fomenta a situação caótica em que vive a educação no Brasil?
De que adianta o governo dizer que quase todas as crianças têm acesso ao ensino básico no país se por trás disto tudo o quadro é desesperador?
Se de fato a "repetência" fosse levada a sério possivelmente teríamos uma visão mais realista a ser enfrentada. Por que não mostrar claramente que estas mesmas crianças estão chegando à quarta série sem saber ler na maior parte das escolas da rede pública?
Seria isto uma evolução?
Estamos realmente diante de novos fatos?
Mas, ao que parece, procuramos escondê-los diante de cada um de nós e dizer que o país tem avançado nos últimos anos na área da educação. É hora de arregaçarmos as mangas. Valorizar o profissional que abriga, que aninha todo o processo de aprendizado- o professor - e reconhecer quando um sistema básico de vida não está caminhando bem. Montar uma ação que envolva todos os segmentos da sociedade talvez seja um início para se fazer algo pelo futuro da educação em nosso país.
Marcos Eleutherio Carvalho de Almeida - Rio de Janeiro (RJ)



Felizmente a questão da educação no Brasil vem mostrando uma significatica melhora no que diz respeito ao analfabetismo. Mas, por outro lado, se faz urgente e necessário um investimento por parte do governo no que se refere à formação, capacitação e remuneração dos professores, bem como às melhorias das condições de trabalho dos mesmos. A evasão e a repetência escolar são frutos de um governo omisso que não tem como prioridade a educação de todo o cidadão. Nosso país somente será uma nação quando os nossos governantes se conscientizarem de que um futuro promissor está intimamente ligado a uma educação digna e de qualidade.
Luene - Londres (Grã-Bretanha)

O caminho é longo... Eu, como professor e mestrando em educação, sei perfeitamente disso. Tudo que se faz em termos de educação, deve-se entender que surte efeito a médio e longo prazo. Um bom começo, no entanto, passa pela capacitação dos professores atuais em termos de adaptação a novas pedagogias e uma nova visão de mundo.
Joaquim Augusto - Guarulhos (SP)

Creio que é necessário, um melhor investimento na modernização das escolas e também uma maior valorização dos profissionais da área, porém existe um grande problema que é a falta de condições que muitas famílias encontram para manter os filhos nas escolas. Famílias que não têm nem o que comer não sabem nem o que significa a palavra escola. Desta forma, é necessário que haja um planejamento familiar e uma melhor distribuição de renda, aí sim haveria melhorias na educação no Brasil, pois com a barriga cheia ficaria mais fácil para os menos privilegiados pensar na palavra escola e entender o seu significado.
Jefferson Osório - Pelotas (RS)

Fonte: BBC-Brasil - On-line

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Carta perdida

Prof ª. Valéria Bianchin Martin

Corria para o ponto de ônibus, atrasada como sempre para pegá-lo. Mil vezes já imaginara escrever um manifesto à Empresa de Transportes Urbanos, solicitando um novo horário. Os dez minutos entre o sinal da saída e o horário do circular não eram suficientes.
Quase no ponto, ouço um chamado:- Professora, não me conhece mais?
A meu lado está Gabriel, um ex-aluno do ano anterior. Apesar do nome angelical era um daqueles alunos que despertam em nós os sentimentos mais antagônicos em um único dia de aula. Da raiva quase incontrolável passa-se ao carinho; da comoção vai-se diretamente a um desejo enorme de que se mude com a família e saia da escola. O único sentimento que não se sente é a indiferença. Impossível sentir-se indiferente à sua presença, tão irrequieta e singular.Ao vê-lo, tive dúvidas quanto a parar ou continuar correndo até o ponto de ônibus. Mas seus olhos demonstraram tanto carinho, quase me pedindo para ficar e conversar... Minha escolha enfim foi parar e ouvir o que Gabriel tinha a dizer. Confesso que com certa impaciência vi o ônibus passar. Agora seriam mais ou menos uns quarenta minutos de espera, imaginando que nossa conversa não passaria das breves perguntas e enxutas respostas.Para minha surpresa, o tom cordial do menino anunciava um longo diálogo, talvez até uma confissão. Falou-me do seu cotidiano, pediu-me conselhos e finalmente premiou-me com uma tenra declaração de amizade.
Já íamos nos despedindo quando perguntou:- Professora, quando leu a carta, você gostou dela?Hesitei por um instante. Não me lembrava de nenhuma carta.
Com sua percepção infantil, notou meu esquecimento e completou:- Aquela carta que te dei quando saí da escola?
Constrangida, agradeci a tal carta e disse que havia gostado.Despedimo-nos, pois o ônibus estava próximo.Durante a viagem toda procurei me lembrar onde havia guardado a carta. Era provável que a tivesse jogado fora junto com outros papéis sem utilidade. No dia seguinte, na escola, procurei exaustivamente a carta, motivada pela lembrança do olhar do menino. Revirado todo o armário, encontrei-a. Estava lá. No envelope, um enorme coração; dentro, os nossos nomes.
Comecei a ler: "Querida professora eu gosto muito da senhora. Essa carta que eu te escrevo é para pedir desculpa. Me desculpa quando eu não obedeci o que você falava. Me desculpa quando eu não parava de falar na aula e quando eu saía para ir no banheiro sem falar nada para você. Eu já sei que vou mudar de escola e não vou mais ter essa professora legal que você é. Sabe quando você falava brava eu ia embora chateado e porisso é que depois eu te dava um bombom. Eu sei que você gostava dava risada. Acho que nunca mais vou ter uma professora tão boa como você e vou sentir saudade. Você é D MAIS.
Um beijo com muito amor do Gabriel".

Ao terminar de ler, me arrependi pela indiferença a essa linda declaração de carinho. Muitas vezes, o corre-corre do cotidiano nos impede de sermos mais humanos, de valorizar gestos que nos fazem perceber que amamos e somos amados.
Gestos que dão mais cor a nossas vidas.

EEPG "Profª Alice Sulli Nonato" - Valinhos

Gravataí City - blog do Joelson Cardoso (acesse o link abaixo))